"Se queres ser perfeito,

vai, vende os teus bens

e dá aos pobres,

e terás um tesouro nos céus.

Depois, vem e segue-me".

(Mt 19, 21) 

"A Regra e a vida

dos Frades Menores é esta:

observar o santo Evangelho

de Nosso Senhor Jesus Cristo,

vivendo em obediência,

ao próximo

e em castidade".

(Regra, 1) 

 



Em 1209, um jovem de Assis, Francisco, apaixonado por Jesus Cristo "pobre e crucificado", que por amor se fez "irmão nosso", junto com seus primeiros 12 companheiros, iniciou uma forma de "vida segundo o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo".
O Papa Inocêncio III aprovou, oralmente, o propósito da vida evangélica. Iniciava, assim, "como uma primavera", a presença rejuvenecedora do movimento franciscano, no mundo e na Igreja.
Em 1221, com a Bula "Solet Annuere", o Papa Honório III aprovou definitivamente a Regra, documento-base, em vigor até hoje, de vida e de santificação de Francisco e dos seus seguidores.
Pela determinação do Fundador, os seguidores foram chamados de "Frades Menores". "Frades" (de frater=irmão), para indicar a fraternidade, o primeiro aspecto fundamental do movimento franciscano. "Menores", em clara alusão às palavras de Jesus e às duas classes sociais da época ("menores" e "maiores"), para indicar que a forma de vida e o lugar social dos franciscanos é viver "como" e "com" os pobres, sendo a pobreza o segundo factor característico do franciscanismo.

A acentuação diversificada desses dois aspectos, fraternidade e pobreza, deu origem às disputas acerca das formas históricas de concretização do ideal primitivo, e resultou em três ramos dentro da chamada Primeira Ordem Franciscana:

Frades Menores Conventuais

OFMConv.

Frades Menores Capuchinhos

OFMCap.

Frades Menores (Observantes)

(OFM) 

 

acrescentou-se, depois, a

 

Terceira Ordem Regular

 

como quarto ramo franciscano masculino.

Os primeiros franciscanos chegaram a Portugal em 1217. Foram Fr. Zacarias e Fr. Gualter, que ainda hoje dá nome às festas da cidade de Guimarães. As primeiras fraternidades apareceram em Lisboa, Alenquer, Coimbra e Guimarães. Até 1272 implantaram-se 17 comunidades, sob a dependência da Província de S. Tiago, com sede no norte de Espanha.

Com o cisma do Ocidente, em 1384, a Província de S. Tiago ficou dividida, com uns conventos a obedecerem ao Papa de Roma e outros ao Papa de Avinhão. Os conventos portugueses e alguns de Espanha mantiveram-se fieis a Roma. Assim começou por haver duas províncias de S. Tiago, uma com sede em Portugal, fiel a Roma, e outra com sede em Espanha, fiel ao Papa de Avinhão. Em 1407 passou a haver um Ministro da Ordem de São Francisco em Portugal, com selo próprio, e só em 1421 Fr. Gil Lobo usou o título de Ministro Provincial de Portugal.

Até 1834 a fundação de comunidades franciscanas não parou de crescer. Quando em 1834 se decreta a extinção das Ordens religiosas em Portugal, havia cerca de 200 conventos franciscanos, com perto de 4500 religiosos.

Entre 1834 e 1861 a vida conventual franciscana em Portugal desapareceu. Foi nesse ano que Fr. Joaquim do Espírito Santo, sacerdote, que em 1834 pertencia à comunidade de Varatojo, comprou o convento e a Igreja ao Conde Barão de Moncorvo. A escritura foi assinada a 24 de dezembro de 1860, mas o auto de posse só se realizou no Convento de Varatojo a 16 de Fevereiro de 1861. De todos os conventos existentes em Portugal, o Convento de Varatojo foi o único que foi restituído ao seu antigo apostolado.

Foi a partir do Convento de Varatojo que se restaurou a Província de Portugal dos Santos Mártires de Marrocos, cuja criação foi proclamada a 18 de Novembro de 1891 no convento de São Bernardino, na Atouguia da Baleia e no Convento de Varatojo no dia seguinte.

Até 1910, salvo o ano de 1901, quando por algum tempo as comunidades religiosas foram intimidadas a dispersar, não houve problemas para as comunidades religiosas. A República, instalada em 1910, trouxe nova perseguição para as comunidades religiosas. Durante alguns anos os franciscanos transferiram para a Espanha todas as estruturas de formação. Só em 1940 foram transferidos para Portugal os sectores da formação que funcionavam na Galiza, nos Conventos de Santo António de Tuy e em Vilariño de la Ramallosa.

Os franciscanos em Portugal estão, actualmente, constituídos em 17 comunidades em Portugal continental, na Madeira e nos Açores. Um grupo de franciscanos trabalha nas Missões de Moçambique desde 1898 e na Guiné desde 1932.