Quatro grandes painéis alusivos a S. António, padroeiro do Convento, revestem as paredes da capela-mor até meia altura; o resto das paredes e embelezado com quadros seiscentistas.
    Do lado direito, o milagre da mula em adoração à Sagrada Hóstia, apresentada em custódia pelo Santo. É um cenário bem movimentado, que mede 2,80m de comprimento e 1,40m de altura.
    Frente a este, do lado esquerdo, com as mesmas dimensões, é figurado o milagre da colação do pé, que o jovem cortara, arrependido de ter dado, com ele, pontapé na mãe, após áspera censura do Santo.
    Os dois mais pequenos medem 1,55m de largura e 1,37m de altura.
 Figura o do lado esquerdo, o Santo a pregar aos peixes, à vista dos hereges que espiolham admirados o pregador cuja palavra desprezaram. Em frente é a tentativa de envenenamento do Santo, em antar para que fora convidado, mas frustrada pela bênção que o Santo dá ao copo da bebida traiçoeira. 
    Largos desenhos, a tinta azul, emolduram os quatro painéis, de jeito a não quedar um palmo de parede nua.
    Descendo da capela-mor temos à esquerda a capela funda da Nossa Senhora das Dores. Toda ela é um devocionário das Sete Dores da Mãe de Jesus. Em quatro azulejos de dois metros de largura e 1,85m de altura, cada um, meditamos as quatro primeiras dores da Senhora. Junto ao altar, do lado esquerdo, a Profecia do Santo Velho Simeão, quando a Virgem lhe apresentou no templo o Seu Divino Filho. Em frente, do lado direito, a Circuncisão do Menino. À direita de quem entra na capela, a Perda de Jesus e Encontro no templo; e, à esquerda, a Fuga para o Egipto. Duas amplas pinturas em tela de bom pincel ? já têm sido fotografadas por artistas ? figuram o Encontro com Jesus na subida para o Calvário e a compaixão da Senhora junto à Cruz no Calvário. A Soledade da Senhora, após a sepultura do Filho, é figurada na imagem titular do altar: a Senhora, sentada com as sete espadas embebidas no peito.
    Assim se figuram as sete Dores.
 
    Passemos a meditar o que há de mais serio na Vida, os Novíssimos do Homem, nos altos alizares que revestem as paredes da nave.
    Na descida, passada a capela de S. José, à nossa esquerda, a Confissão Sacrílega, com 2,40m de altura e 1 ,45m de largura: o penitente, ajoelhado diante do frade confessor, por detrás dele, deita-lhe um demónio a garra ao pescoço e um outro, agachado atiça uma fogueira. Ao alto da cena, um dístico do livro dos Provérbios, traduzido livremente nesta quadra:

    Em frente, ao nosso lado direito, a Morte do Pecador Impenitente, com 1,80m de largura e 1,45m de altura: o moribundo, estendido no catre, ao lado esquerdo um frade de grande crucifixo na mão, tenta meter-lhe nas mãos a vela benta; aos pés do leito, um demónio mostra-lhe a concubina, de pé, de olhos fitos nele, e um outro demónio mostra-lhe o saco das moedas. Ao alto, um provérbio bíblico em latim, traduzido nesta quadra:

    No arco, pegado com este, o Juízo Particular, com as mesmas dimensões. Três figuras de pé; o Anjo julgador, a Alma julgada, o Demónio acusador; ? este diz-lhe, numa página do pergaminho que sustenta nas mãos, esta sentença do profeta Ezequiel: Deponho contra ti todas as tuas abominações. E na segunda página do pergaminho:

    O Anjo, no pergaminho que mostra à Alma, diz-lhe, na página direita:

    E na outra página, esta sentença do profeta Daniel: Inventus es minus habens. Ao alto do quadro a sentença do Evangelista S. Lucas (16,2) em Latim, exposta nesta quadra:

    A subir, no arco seguinte, O Inferno.
    Ao alto, um versículo do Apocalipse (15,7) em latim, traduzido quase literalmente

    Impressiona a variedade e o realismo dos tormentos, as atitudes agitadas dos torturados e dos demónios torturadores.
    À saída do templo, espreitemos os dois Cubículos Penitenciais, de 1,90m de altura e 1,40m de largura, confessionários para recolhimento sacramental dos penitentes. Em cada um se repete, em dois pequenos painéis, um penitente de joelhos, perante um crucifixo, a suspirar: Pequei, Senhor, tende misericórdia de mim. Saiem-lhes dos lábios as palavras em direcção ao Crucifixo. Iluminados por elas, sentimos quão desastrado foi o erro de quem mandou retirar o painel do Paraíso, que logicamente se seguia no espaço ocupado hoje pelo altar de Nossa Senhora de Lurdes, mutilando artisticamente o conjunto e eliminando doutrinalmente a esperança cristã, objectivo essencial de toda a obra de Jesus.
    Atravessamos o átrio da Portaria do Convento, para entrar na capela da Senhora do Sobreiro. O seu rodapé de azulejos, com 1 ,90m de altura e 4,50m de largura por cada lado, é outro devocionário mariano que nos dá, em seis painéis, os principais passos da vida da Santíssima Virgem, todos emoldurados com largos desenhos a cor-vinho com fundo amarelo. Do lado esquerdo da nossa entrada: Nascimento da Senhora, Apresentação no Templo, Desposórios com S. Jose. Do outro lado, descendo do altar: Anunciação do Anjo, Visita à Santa Isabel, Nascimento do Menino Deus. Os dois quadros, pintados em tábua, com largas molduras em talha dourada, fixados, um de cada lado entre as duas janelas, completam o Devocionário Glorioso da Virgem: a sua Assunção e Coroação no Céu.
    Cada azulejo tem o seu dístico evangélico correspondente em latim.
    Passemos num instante à mata do Convento, onde duas capelinhas escondem preciosas figurinhas desta arte. No sítio do primitivo forno de cal, a gruta do Ecce Homo, toda ela forrada com azulejos em azul. Sobre a porta da gruta, ò nome do titular Ecce Homo, e sobre este, a imagem recortada da Imaculada Conceição. Dentro, à nossa direita, o quadro do Senhor Ecce Homo; à esquerda, o Senhor com a Cruz aos ombros; no tecto abobadado, a Ascensão do Senhor, à vista dos Apóstolos. No fundo do nicho da imagem, ? que já não é a primitiva ? a data F. Anno MDCCXXXVII (1737).
    Fica-nos a poucos passos a primitiva capelinha da Senhora do Sobreiro, adornada, desde o solo à abóbada abatida, com quatro paineizinhos que figuram monges em estudo e em contemplação.
    Voltaremos a falar destas duas capelinhas, quando visitarmos a vetusta mata.